EXPEDIÇÃO MONTE RORAIMA 2017 PARTE IV

DIA DO EMBARQUE NO NAVIO SÃO BARTOLOMEU III

A saída do navio ficou marcada para terça feira, dia 31/10/17 às 12:00 horas, sendo que o embarque do carro teria que ser feito na segunda feira até as 17:00 horas, ocasião em que nós, se quiséssemos, também poderíamos ficar embarcados. Como já tínhamos hotel pago em Manaus, achamos melhor permanecer em terra para descansar, organizar nossas "tralhas", providenciar lavagem de roupas e comprar mantimentos para abastecer o frigobar durante a viagem.   Na segunda feira voltamos ao Porto de cargas no horário combinado onde o navio estava atracado, entregamos o carro com a maior parte da nossa bagagem e ficamos só com duas pequenas malas e uma mochila para facilitar o nosso deslocamento no cais de passageiros que é bastante movimentado. O Complexo Portuário de Manaus foi construído em 1907 pelos ingleses, quando a cidade vivia o apogeu da borracha, vindo a ser até hoje o maior porto flutuante do mundo. Na região  portuária, em frente ao Mercado Adolpho Lisboa, atracam centenas de navios de passageiros numa área repleta de pequenos quiosques, lanchonetes, restaurantes populares, vendedores de passagens, redes, cordas para rede, comida, carregadores e camelôs que circulam entre os barcos e passageiros num constante e barulhento vaivém. Uma verdadeira Torre de Babel! Por volta de 10:00 horas, chegamos ao píer de embarque chamado "Balsa Amarela". Nessa ocasião, o nosso taxi foi imediatamente cercado por vários carregadores que a todo custo queriam transportar as nossas malas até o navio e isso nos deixou um pouco assustados. Argumentamos que não era necessário mas diante da insistência de um deles que se apoderou da minha mochila e de uma mala resolvemos aceitar o serviço até como forma de ajudá-lo. Mesmo assim, ficamos atentos pois diante da grande aglomeração, a nossa preocupação era que ele sumisse na multidão levando os nossos pertences. Subimos a bordo e na hora de acertar o "serviço" , paguei com dez reais e aí veio a surpresa! O rapaz não aceitou e disse que o valor do carreto era R$ 50,00. Não concordei e falei que havia pago R$ 30,00 de taxi do hotel até o porto, como é que ele queria me cobrar aquele valor por um percurso tão pequeno? Para encerrar a conversa, lhe dei mais dez reais e pedi que ele fosse embora, ele ainda resmungou mas acabou se retirando. Fica a dica , se for utilizar serviço de carregador, ajuste o valor antes para evitar encrenca. Por volta de meio dia o nosso navio ainda  continuava recebendo carga, passageiros e também mais um carro. Agora eram quatro carros embarcados, algumas motos e várias mercadorias. Ficamos um bom tempo observando a movimentação das pessoas e das embarcações no terminal hidroviário, aguardando a partida do navio que já estava atrasado pois o horário previsto era 12:00horas. Aproveitamos o tempo para conhecer as instalações do navio São Bartolomeu III, que foi construído com capacidade para transportar 650 passageiros e 474 toneladas de carga. A embarcação possui sobre o porão um convés onde ficam acomodados carros, motos e cargas diversas. O primeiro e o segundo andar são reservados para as redes, sendo um andar com ar condicionado, onde também funciona a cozinha e o refeitório com banheiros coletivos nos nos dois andares. No terceiro andar funciona um pequeno bar com acesso ao deck que tem vista panorâmica. Na proa, junto  a cabine de comando estão as suítes. A nossa  ficava logo acima da cabine de comando de onde tínhamos uma vista privilegiada para o rio. Dentro do navio circulam muitos vendedores ambulantes que também oferecem comida em sistema de Delivery, cujos pratos são preparadas nos restaurantes que funcionam sobre o píer flutuante. Redes de dormir e cordas para arma-las, também são oferecidas a bordo. Aproveitamos para pedir uma quentinha e garantir o nosso almoço. Por volta de 13:00horas, depois da inspeção da Marinha, o São Bartolomeu deu alguns apitos, zarpou e aos poucos foi ganhando velocidade. Inicialmente correu pelas águas do Rio Negro até encontrar o Rio Solimões que a partir dali se juntam formando o Rio Amazonas. Para aproveitar a força da correnteza, como estávamos na direção da foz, o nosso navio seguiu pela calha central do rio. Já as embarcações que vinham no sentido oposto, ou seja, contra a correnteza, procuravam navegar próximo de uma das margens para evitar a força da água no sentido da nascente. A partir dali, começamos a ter a real noção da grandeza do Rio Amazonas que banha diretamente o Peru, Colômbia e Brasil, sendo que as suas bacias se estendem pela Bolívia, Equador, Venezuela (alguns trechos) e Guiana. Um verdadeiro mar de água doce a perder de vista! A distância de uma margem a outra, na época da cheia, pode chegar a 50 km, por conta da elevação da sua cota que pode alcançar 11,00 metros. 

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Comentários recentes

06.04 | 14:19

Brigado Luiz. Dedicamos esta conquista a vocês!
Grande Abraço!

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06.04 | 11:20

Olá, pai e mãe. Muito orgulhoso pela aventura de vocês! Um grande abraço! Parabéns!

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24.02 | 14:51

Brigado ao grande amigo e Monteverdeano Alvaro pelos seus comentários!
Mario & Carmen.

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19.02 | 17:32

É contagiante mergulhar na narrativa e sentir a emoção de fazer parte dela... Parabéns amigos pelo desafio vencido... Desafio possível somente aos cortes...

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