EXPEDIÇÃO MONTE RORAIMA 2017 PARTE IV

ALTER DO CHAO - PRAIA DO PINDOBAL

Circulamos rapidamente por Santarém até encontrar a estrada que nos levaria para o distrito de Alter do Chão onde tínhamos pousada reservada para os próximos dois dias. Tão logo encontramos o caminho seguimos viagem. Distante 38 km de Santarém a vila de Alter, antes uma ilustre desconhecida,  passou a ficar famosa principalmente  no exterior, quando foi incluída pelo jornal Inglês The Guardian, na lista das dez praias mais bonitas do Brasil, além de classificar o lugar como o mais bonito do mundo no quesito praia de água doce.  A partir daí a pequena aldeia de pescadores, foi descoberta por brasileiros e passou a ser muito frequentada, principalmente  por estrangeiros que passaram a chama-la de Caribe da Amazônia. Mesmo assim, apesar de bastante badalado o local ainda é considerado muito tranquilo para quem procura descanso e lazer de um jeito simples e econômico sem abrir mão do conforto e beleza. O período de maior movimento, acontece na época  de seca que vai de agosto a novembro quando as águas do Rio Tapajós baixam e surge a famosa Ilha do Amor, cartão-postal da vila que fica junto ao centrinho de Alter. Dependendo da época, para chegar na ilha que na verdade é um grande banco de areia, se faz necessárias recorrer aos barqueiros que em pequenas canoas, fazem a travessia das pessoas ligando a vila, até onde fica a praia com várias barracas que sevem bebidas e comidas típicas. Como chegamos no auge do período da seca e o rio estava baixo, fizemos a travessia a pé sem necessidade de usar os barcos. O lugar é realmente muito bonito! A água morna e cristalina do Rio  Tapajós, contrasta com a areia branca e ganha um tom azul profundo só visto nas praias do caribe. Ali  saboreamos um dos pratos mais famosos da comunidade: um pequeno peixe chamado de charutinho que é servido frito acompanhado com bastante farofa. Essa dica nos foi dada por um amigo que conhecemos no Navio São Bartolomeu. Várias mesas são montadas dentro d'água onde os clientes são  atendidos com a água até a cintura, como se estivessem numa grande piscina que chega a 10 km de extensão. Tudo isso em plena Floresta Amazônica. Para aproveitar bem os dois dias que tínhamos disponíveis, logo no início da tarde seguimos por uma estrada de terra para o Município de Belterra e de lá para a Praia do Pindobal. Belterra foi uma concessão do governo brasileiro à companhia americana Ford que em 1934, ali implantou um megaprojeto de plantio de seringueiras para a produção e exportação de látex. No local foram construídas casas para os empregados, igreja, escola e hospital, tudo no modelo das cidades americanas da época. Uma das casas foi especialmente construída  para Henry Ford que apesar de ser o administrador oficial da cidade, por lá nunca apareceu pois tinha medo de contrair alguma doença tropical. Com o surgimento da borracha sintética e o baixo custo do produto no Continente Asiático o cenário mudou completamente e Ford desistiu do seu projeto que tinha sido planejado para durar um século. Diante disso, em 1945,  Ford devolveu a concessão das terras ao governo brasileiro e o projeto foi desativado. Ao visitar a pequena cidade, fizemos uma viagem ao passado e podemos ver na pequena vila, algumas casas que ainda permanecem intactas, pois foram tombadas e hoje pertencem ao patrimônio histórico do estado. Esse foi o segundo projeto fracassado de Henry Ford no Brasil. Em 1927, ele já havia tentado algo semelhante numa área de 14.568km2 que recebeu o nome de Fordlândia no municio de Aveiro, também no estado do Pará. Diferente do que aconteceu em Belterra, esse projeto fracassou por conta da cultura conflitante entre os administradores americanos e os operários brasileiros,  que achavam as regras de comportamento no trabalho impostas pela Ford muito rígidas para os nossos costumes, bem como pelo fato de o terreno adquirido por Ford, ser  inapropriado para o cultivo de seringueiras o que favoreceu o surgimento de uma praga que se espalhou rapidamente dizimando a plantação. Na Praia do Pindobal, que se diferencia da Ilha do Amor pela calmaria e pela privacidade, encontramos  inúmeras pequenas barracas de palha, que substituem os tradicionais sombreiros, espalhadas pela areia fofa. Essas barracas, são supridas pelos restaurantes que ficam mais acima da margem e podem ser compartilhadas por um casal ou por um grupo de amigos, como acontece nas praias do Nordeste. Ali é possível saborear um peixe frito, curtindo o sol e depois descansar ao sabor da brisa e das águas calmas e transparentes do Tapajós. Caminhamos pela praia deserta e mais tarde voltamos para Alter onde já havíamos contratado uma lancha para nos levar ao famoso por do sol na Ponta do Cururu. A praia recebe esse nome por conta de uma enorme rocha na praia que se assemelha ao formato de um sapo cururu. Diferente das outras praias, na Ponta do Cururu a faixa de areia é bem menor e não alcança mais que 2km de extensão. O local é paradisíaco e ainda guarda um aspecto bem natural. Não existe nenhuma barraca ou qualquer outro tipo de estrutura de apoio. Quem for pra lá precisa levar a sua bebida. Os passeios acontecem sempre no final da tarde quando várias  lanchas e catamarans  levando turistas, aportam na praia de areias finas e por lá ficam até o pôr do sol que as vezes aparece acompanhado de alguns botos que fazem uma exibição a parte. Para a nossa sorte, mesmo que o pôr do sol não tenha sido  deslumbrante como esperávamos devido o surgimento de algumas nuvens, tivemos a presença dos botos como recompensa. Ao cair da noite retornamos para Alter do Chão e como fazem a maioria dos turistas, encerramos o dia em uma das lanchonetes da cidade saboreando um sanduíche preparado com pirarucu, um dos vários sabores típicos da culinária paraense.

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Comentários recentes

06.04 | 14:19

Brigado Luiz. Dedicamos esta conquista a vocês!
Grande Abraço!

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06.04 | 11:20

Olá, pai e mãe. Muito orgulhoso pela aventura de vocês! Um grande abraço! Parabéns!

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24.02 | 14:51

Brigado ao grande amigo e Monteverdeano Alvaro pelos seus comentários!
Mario & Carmen.

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19.02 | 17:32

É contagiante mergulhar na narrativa e sentir a emoção de fazer parte dela... Parabéns amigos pelo desafio vencido... Desafio possível somente aos cortes...

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