DIARIO DE BORDO 12/2014 A 02/2015

IMAGENS DO DIARIO DE BORDO - FRIO X CALOR

DIARIO DE BORDO - FRIO X CALOR

Recobrados da emoção de conhecer o Glaciar Perito Moreno, deixamos El Calafate e no dia 26/12 seguimos par El Chalten-RA. Distante 215 km de El Calafate e conhecida como a Capital do Trekking. A pequena El Chalten que possui cerca de 1.600 habitantes, durante a alta temporada recebe turistas, trekkers e escaladores de todas as partes do mundo atraídos pela beleza do Monte Fitz Roy que é o ponto mais alto do parque Los Glaciares e é considerada a escalada técnica mais difícil do mundo (só para profissionais). Nesta cidade ficamos dois dias desfrutando da hospedagem em um Hotel Estância, preparado para o Turismo Rural com toda beleza e tranquilidade de uma fazenda.

A nossa estadia na cidade se completou com a Trilha da Laguna de Los Tres que na verdade é um Trekking feito em até dez horas (ida e volta) com um ganho de altitude de 1.165msnm e um total de 21 km, até chegar a Laguna de Los Tres, que recebe este nome por estar localizada próxima a tres Glaciares: Glaciar Rio Blanco, Glaciar de Los Tres e Glaciar Piedras Blancas. Também é deste ponto que se pode ter a vista mais próxima do Monte Fitz Roy. A subida até a Laguna de los Tres foi para nós um misto de curiosidade com desafio. O trekking exige de todos um bom preparo físico, mas a vontade de chegar lá era tamanha que nos motivou como se tivéssemos sido contaminados por uma energia inexplicável. Uma força que afastou e superou o esgotamento fisico diante de tanta beleza. Em todo percurso a paisagem é deslumbrante!

Dia 28/12 deixamos o imponente Monte Fitz Roy para trás, seguimos pela lendária Ruta 40 e em seguida pela Ruta 43, margeando o fantástico Lago Buenos Aires, até ingressarmos em território chileno para percorrer um trecho da temida e fascinante Carretera Austral, com suas belas paisagens formadas por bosques, cachoeiras, geleiras, montanhas nevadas, lagos de águas turquesa e rios caudalosos. Por isso, pessoas do mundo inteiro são vistas percorrendo a Ruta 7 (Carretera Austral) que é considerada por grandes editoras  especializadas como um dos destinos mais desejados pelos turistas de aventura.

Do lado chileno, o mesmo lago Buenos Aires recebe o nome de Lago General Carrera e seguindo suas margens pela Carretera Austral, chegamos na pequena Puerto Rio Tranquilo-Ch, onde conhecemos as famosas Capillas de Marmol, que são gigantescos blocos de mármore esculpidos pela erosão das águas do Lago General Carrera e pelo vento patagônico. Uma verdadeira maravilha talhada pela natureza cujo mármore branco contrasta com o verde esmeralda do Lago.

O ano já estava acabando e no dia 30/12 seguimos para Esquel-Ra, onde decidimos passar o Revellion. Na cidade de Esquel conhecemos o Parque Nacional Los Alerces, uma reserva nacional que foi criada para preservar os milenares bosques de Alerces, árvores que chegam a 60 metros de altura, 3,5m de diâmetro e idade entre 2.000 e 3.000 anos, bem como seus lagos com abundante água de degelo, sendo o Futalaufquen de águas azul prata, considerado o mais belo de todos.

Dia 01/01/ 2015 chegamos em San Carlos de Bariloche, mais conhecida como Bariloche. Esta cidade é o destino de neve mais procurado da Argentina e frequentado por muitos brasileiros. Cercada por lagos e montanhas a cidade fica lotada de turistas no periodo do inverno que vai de junho a setembro, por conta do cenário branco que a neve proporciona. Chegamos em pleno verão e pudemos apreciar a cidade com outro visual que também não deixa de ser muito interessante. Ficamos hospedados no Cerro Catedral que mesmo no verão é muito frio. Circulamos pela cidade e do alto do Cerro Otto apreciamos todo o seu visual emoldurado pela Cordilheira dos Andes e pelo gigantesco Lago Nahuel Huapi visíveis de vários pontos da cidade.

Conhecemos também sua vizinha Villa la Angostura uma pequena cidade que fica a 80 km de Bariloche e ainda preserva um ar bucólico e um centrinho com ar de montanha. No mesmo dia conhecemos San Martin de Los Andes, cidade turística às margens do Lago Lácar e Junin de los Andes de onde se formam expedições para escalada do Vulcão Lanin que fica na fronteira do Chile com a Argentina e também pode ser avistado de vários pontos da mítica Ruta 40.

Seguindo na direção norte da Argentina passamos por Neuquen-RA, San Rafael-RA e Chamical-RA, localidades por onde nas suas imediações estavam acontecendo deslocamentos do Rally Dakar. Assim, em nosso roteiro do dia 07/01 encontramos nas proximidades Chamical e prestamos assintência aos competidores Espanhois Albert Bosch e Augustin Paya, piloto e navegador respectivamente da Equipe Acciona, carro 369 que estava avariado. O desafio deste carro pioneiro, único entre todos os competidores, era correr todo o rally usando unicamente a eletricidade das suas baterias.

Dia 07/01 chegamos em Cafayate-RA importante centro túristico por causa da qualiddade e originalidade dos vinhos produzidos na região. A partir de Cafayate visitamos as principais vinícolas, o Parque Nacional Los Cardones com espécies de cactus que têm mais de 400 anos de vida e as Ruínas de Quilmes um dos assentamentos pré-hispânicos mas importantes da Argentina.

Chegamos em Salta, conhecida como "La Linda" em 10/01 e de teleférico fomos até o topo do Cerro San Bernardo a partir do qual se pode apreciar toda cidade. Em Salta tínhamos como objetivo principal viajar no Tren de Las Nubens (o mais alto do mundo) que vai de Salta até San Antônio de Los Cobres atravessando vertiginosas montanhas da Cordilheira dos Andes, passando por paisagens espetaculares e pelo famoso viaduto de La Polvorilla com seus 4200 metros de altitude, sendo que muitas vezes durante a viagem, por causa da grande altitude, podem ser apreciadas nuvens abaixo ou nas suas laterais, mas para nossa decepção o trem estava temporariamente inoperante para reparos. Então resolvemos ir até o viaduto La Polvorilla de carro, passando por San Antônio de Los Cobres onde fomos homenageados como os primeiros turistas da temporada 2015.

Já era dia 11/01, cada vez mais ao norte da Argentina. Chegamos em Purmamarca a cidade das montanhas coloridas. Localizada na Quebrada de Humahuaca (quebrada quer dizer vale profundo) onde de todos os ângulos vemos montanhas magníficas como as da cidade vizinha Humahuaca, que também visitamos. Em Purmamarca ficamos no hotel Los Colorados, incrustado ao pé do Cerro Siete Colores, cujo estilo arquitetônico se distingue dos demais por adotar na sua construção o adobe que é uma mistura rudimentar de terra, água e palha, utilizada nas construções de alvenaria desde a pré-história.

No dia 14/01, décima etapa do Rali Dakar, os competidores partiriam de Calama-Chile e tinham como destino a cidade de Salta, passando pelas Salinas Grandes, um verdadeiro deserto de sal de de 212km2 e meio metro de espessura. Então cedo pegamos a estrada rumo à fronteira com o Chile, pois iríamos a San Pedro do Atacama, atravessando parte do deserto através do Passo de Jama. Não deu outra, próximo das Salinas Grandes o circo do Dakar estava armado na nossa frente mobilizando uma logística impressionante para dar suporte ao maior Rally do mundo, que este ano contou com mais de 600 competidores de 53 nacionalidades em 414 veículos entre motos, quadriciciclos, carros e caminhões. Foi incrível ver ali tão de perto uma das competições mais desafiadoras do mundo sendo disputada em terras da América do Sul: Argentina, Bolivia e Chile.

Seguindo pelo corredor bioceânico que é formado pelas Rodovias AR-52 do lado argentino e CH-27 do lado chileno, pernoitamos em Susques-RA e no dia seguinte fizemos os procedimentos aduaneiros no Passo Jama, 4200 msnm, que atualmente é o passo mais importante de fronteira entre os dois paises, depois do Passo Los Libertadores. Assim, a partir dali, estavamoss ingressando no Deserto do Atacama, considerado o deserto mais seco do mundo.

Em 15/01 chegamos em San Pedro do Atacama onde encontramos com o meu irmão Maurício e sua esposa Helenice que residem em Brasilia e foram de avião para nos acompanhar nesta etapa da viagem. Juntos conhecemos os vários setores da Reserva Nacional Los Flamencos onde esta situada a cidade de San Pedro que é considerada a capital arqueológica do Chile. O deserto do Atacama com todo o seu misticismo e belezas deserticas surpreende a todos pela sua estrutura geológica bastante diversificada que muda a toda hora. Composta por desfiladeiros, lagos, dunas, termas, salares, vulcões, geiseres e uma surpreendente fauna nativa onde é possivel encontrar vicunhas, alpacas, lhamas, raposas, gaivotas andinas, condores, flamingos, dentre outras espécies.

Um dos passeios que mais nos impressionou foi a visita ao campo geotérmico dos Géiseres del Tátio com suas colunas de vapor que chegam a alcançar até 12 metros de altura e temperaturas que podem chegar a 25º C negativos às 4 da manhã. Mas valeu muito a pena conhecer os Lagos Altiplanicos Miñiques e Miscanti incrivelmente azuis e salgadas, flutuar na Laguna Cejar uma das mais salgadas do mundo onde é impossível chegar até o fundo dela.

Ver o por do sol no Vale de la Muerte a partir da Pedra do Coiote e do Vale de La Luna a partir da Grande Duna, ambos surpreendentes pela grande semelhança com cenários de filmes de ficção. As termas de Puritama e a visão de vários vulcões com destaque para o Licancabur, complementaram as paisagens surpreendentes deste lugar árido e ao mesmo tempo cheio de vida.

Nos despedimos de San pedro de Atacama e viajamos até o Aeroporto de Calama onde embarcamos o Maurício e a Helenice que a partir dali retornariam ao Brasil. Seguimos pela Rota do Deserto até Tocopilla-CH e posteriormente beirando o Pacífico chegamos em Iquique-CH e depois em Arica-CH onde pernoitamos. No dia 23/01 novamente pela Rota do Deserto seguimos para a Bolívia através do Passo Tambo Quemado.

No final da tarde chegamos a La Paz, cidade mais populosa e também a capital administrativa e a sede do governo da Bolívia, embora Sucre continue a ser legalmente a capital do país. Considerada a cidade mais alta do mundo com quase 4 mil metros de altitude, La Paz é rodeada por montes e montanhas de grande altitude pertencentes a Cordilheira dos Andes. As encostas que são mais próximas das áreas urbanas são totalmente tomadas por construções que formam um visual muito parecido com as favelas do Rio de Janeiro. Culturalmente é uma cidade bastante diversificada onde o seu passado de fortes raízes e tradições e o presente com suas modernidades e transformações convivem de maneira pacífica numa verdadeira interação de culturas vivas. Um trânsito caótico com muitas vans, carros e pedestres disputando o mesmo espaço. Uma loucura! Os ônibus pequenos e coloridos, típicos da cidade são um charme à parte. Os táxis não possuem taxímetro e o preço é dado pelo motorista na hora da contratação do serviço. De teleférico subimos para contemplar a cidade que vista da parte alta é impressionante. Caminhamos pelas ruas e a todo momento cruzamos com as típicas mulheres bolivianas, as famosas "Cholas" com os seus chapeus coco, saias coloridas e tranças compridas. Nas costas usam um pano como se fosse uma bolsa para carregar crianças ou mercadorias. Caminhando devagar: "caminar despacito" conforme recomendam os bolivianos, percorremos várias quadras em direção a Calle de Las Brujas que na verdade é um conjunto de ruas onde são comercializados artesanatos e diversos produtos utilizados nos rituais de bruxaria e cultos de oferendas a pachamama (mãe terra).

O dia 24 de janeiro que coincidiu com a nossa visita a La Paz, foi marcado por uma das festas mais importantes da Bolivia. Denominada Alasita, consiste na venda de modelos em miniatura como carros, casas, eletrodomésticos, etc, para que na mão dos seus compradores se convertam em realidade no futuro. Nesta data a cidade para e a população se volta massivamente para as ruas numa demonstração de fé e na esperança de que seus sonhos virem realidade. De tão importante para a cidade de La Paz e para a Bolívia, a Alasita de 2015 foi aberta pelo Presidente Evo Morales que possui um bom índice de popupalidade no país.

Com alguma dificuldade, pois o nosso GPS não funcionou em território boliviano, dia 25/01 seguimos para Copacabana que fica a 150 km de La Paz, às margens do Lago Titicaca, fronteira entre Peru e Bolívia, considerado o lago navegável mais alto do mundo e o maior de água doce da América do Sul. Navegando pelas águas do Titicaca chegamos a lendária Isla del Sol, que segundo a crença andina foi o berço da Civilização Inca que entre os séculos XII e XVI dominou a região até a invasão espanhola. Conhecemos também as famosas Islas Flotantes que servem de moradia e comércio para as populações nativas e são formadas por totoras, uma planta aquática típica da região.

A cidade de Copacabana é a principal cidade situada no entorno do Lago Titicaca, possui uma boa infraestrutura hoteleira e de lá saem os passeios de barco que fazem visita a Isla del Sol. Em Copacabana também esta situada a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira da Bolivia, cuja réplica da sua imagem levada por comerciantes espanhóis ao Rio de Janeiro que lá construiram uma pequena igreja que cresceu e veio depois a dar origem ao atual bairro de Copacabana.

No dia 27/01 cruzamos a fronteira e ingressamos em território peruano sempre bordeando o Lago Titicaca. Passamos por cidades como Puno e Juliaca até chegar em Cusco que estávamos visitando pela segunda vez e onde resolvemos pernoitar para no dia seguinte continuar viagem até Puerto Maldonado. Seguimos viagem pela Rodovia Interoceanica Sul também conhecida como Estrada do Pacífico que corta a Cordilheira dos Andes onde atinge 4.800 msnm, e também a Amazônia Peruana até chegarmos em 29/01 ao município de Assis Brasil-AC, que faz limite com a cidade peruana de Iñapari.

Dai para a frente nosso roteiro foi feito por cidades que já haviamos conhecido em viagens anteriores: Rio Branco-AC, Porto Velho-RO, Vilhena-RO, Cuiabá-MT, Barra do Garças-MT, Paracatu-MG, São José dos Campos-SP, Governador Valadares-MG, Feira de Santana-BA e enfim dia 13/02/15 chegamos em Fortaleza-CE. Depois de 105 dias de viagem, 33.000 km, passando por cinco paises (Uruguai, Argentina, Chile, Bolivia e Peru) retornar a nossa casa foi bom demais. Rever a família, amigos a nossa cidade natal, atualizar o Diário de Bordo e dar início aos preparativos para a próxima Expedição rumo ao Aconcágua em janiero de 2016.

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Rodrigo | Responder 21.04.2015 22.49

Simplesmente inspirador! Parabéns pela iniciativa, vocês são fantásticos! Grande abraço!

Mario e Carmen 23.04.2015 11.44

Rodrigo, é bom saber que a realização de um sonho está servindo de inspiração para outras pessoas. Nunca é tarde para começar.

marcelo castro. nissei | Responder 15.04.2015 10.30

Bom dia amigo Mario e esposa, estou muito feliz por vós. Aproveitem o máximos esses momentos que DEUS todo poderoso está oferecendo . DEUS ABENÇOI AMÉM

Mario e Carmen 15.04.2015 23.49

Marcelo Castro, amigo da Concessionária Nissei que nos deu dicas valiosas quanto a utilização da nossa L200 em dunas e terrenos arenosos.Brigado pelas palavras.

Franci | Responder 08.04.2015 17.28

Que maravilha!
Um passeio fantástico e enesquecivel
Parabens pela coragem e disposição

Mario e Carmen 08.04.2015 22.32

Franci e Carlos, já estamos ansiosos para iniciar a próxima expedição. Continue nos acompanhando.

eyal | Responder 05.04.2015 11.07

maravilhoso, parabéns.

Mario e Carmen 06.04.2015 11.41

Eyal, grande aventureiro (no bom sentido) com falta de tempo para realizar novos desafios e reviver aventuras do tempo de mochileiro.

Socorro Melo | Responder 04.04.2015 01.51

Parabéns ao casal pela garra e determinação .
E que venham novos desafios !

Mario e Carmen 06.04.2015 11.36

Brigado Socorro, viajar é preciso...

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Comentários recentes

06.04 | 14:19

Brigado Luiz. Dedicamos esta conquista a vocês!
Grande Abraço!

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06.04 | 11:20

Olá, pai e mãe. Muito orgulhoso pela aventura de vocês! Um grande abraço! Parabéns!

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24.02 | 14:51

Brigado ao grande amigo e Monteverdeano Alvaro pelos seus comentários!
Mario & Carmen.

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19.02 | 17:32

É contagiante mergulhar na narrativa e sentir a emoção de fazer parte dela... Parabéns amigos pelo desafio vencido... Desafio possível somente aos cortes...

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