PARTIU JALAPÃO !!!

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PARTIU JALAPÃO!!! Há muito tempo vínhamos planejando uma expedição ao Jalapão que é considerado por muitos, um dos mais instigantes destinos turísticos do Brasil para quem busca Turismo de Aventura. Depois de conhecer a Chapada dos Veadeiros, seguimos viagem no dia 17/06/16 e naquele dia pernoitamos em Porto Nacional. Na manhã seguinte já estávamos em Ponte Alta do Tocantins para iniciar a nossa aventura! O Jalapão como todos falam "É BRUTO" mas esconde na sua aparência desértica, uma imensa quantidade de rios, riachos, ribeirões, fervedouros, cachoeiras e veredas de águas cristalinas, verdadeiros oásis com belas praias que ajudam o visitante a suportar o calor intenso cuja sensação térmica chega fácil aos 40 graus. Em Ponte Alta do Tocantins, distante 180 km da Capital Palmas, conhecemos atrativos como a Cachoeira do Soninho, Rio do Soninho e a Pedra Furada, uma imensa rocha de arenito talhada pela chuva e pelo vento de onde se chega a um mirante com uma bela visão para contemplar o por do sol.

A CAMINHO DE MATEIROS

No dia seguinte seguimos para Mateiros e no caminho visitamos os cânions e a Cachoeira Sussuapara com seus enormes paredões cobertos por musgos e por uma densa vegetação que amenizam a temperatura do local, dando a sensação de estarmos num ambiente climatizado. Seguimos para a Cachoeira do Lajeado cujo rio no início desliza manso por vários degraus até formar uma queda de 15 metros e uma bela piscina natural. Seguimos pela imensidão do cerrado rompendo trilhas de areia pesada que exigiu muito do nosso 4x4. Por mais de duas horas não vimos uma só pessoa! A região do Jalapão que recebeu este nome devido a uma planta chamada Erva Jalapa, possui uma das menores densidades populacionais do Brasil. Em média um habitante por quilômetro quadrado. A baixa qualidade do solo que lembra um grande deserto, contribui para a preservação do local que é formado principalmente pela campina e pelo cerrado ralo. Devido ao seu relevo de origem sedimentar, formado por muita areia, dunas, serras, chapadas, chapadões e cânions que constituem uma das mais exóticas paisagens brasileiras. Acredita-se  que há pelo menos 350 milhões de anos o Jalapão já tenha sido o fundo de um oceano. De Ponte Alta do Tocantins até Mateiros não existe restaurantes, hotéis ou qualquer tipo de comércio estruturado. Quem se aventurar de carro por estes caminhos, além de um guia experiente deve estar preparado para no caso de pane mecânica ou atoleiro pernoitar, em acampamento selvagem ou nas casas dos raros moradores da região. Para comer, alguns nativos oferecem uma refeição básica, servida em instalações simples que ficam na beira da estrada. O mais seguro é andar sempre bem abastecido de água e comida sem esquecer de tomar a vacina contra a febre amarela com pelo menos dez dias de antecedência. O tanque do carro deve ser mantido sempre cheio para evitar "pane seca" pois a região não é bem servida de postos de combustíveis. 

NA ESTRADA

Por volta do meio dia chegamos em um pequeno povoado às margens do Rio Novo. Ali encomendamos o nosso almoço e fomos para a prainha tomar banho no rio para amenizar o calor e contemplar a natureza enquanto a nossa comida era preparada. O Rio Novo é considerado um dos últimos rios de água potável do mundo! Depois do almoço, descansamos um pouco e por volta das 15:00 debaixo de sol forte e muito calor continuamos pela estrada de terra poeirenta, com muitos pontos de atoleiro. Dirigir pelo Jalapão não é fácil, mas cada atrativo compensa o desafio! Em pouco tempo começamos a avistar a Serra do Espírito Santo e logo depois estávamos chegando na portaria do parque que dá acesso as dunas, cartão postal do Jalapão, onde as pessoas se reúnem no final do dia para contemplar o por do sol. 

CHEGANDO NAS DUNAS

A origem das dunas que chegam a 40 metros de altura é o resultado de um processo erosivo de milhões de anos que tem origem na Serra do Espírito Santo. O vento juntamente com as condições climáticas são os principais agentes da erosão que continua em processo constante, arrastando dia e noite finas camadas de areia das encostas da serra, formando novas dunas e dando novo contorno as já existentes. As pessoas começam a subir as dunas no final da tarde quando a temperatura cai e a areia começa a esfriar. Antes disso é impossível! Lá de cima a visão é espetacular! O conjunto formado pela serra do Espírito Santo a vegetação nativa, os buritis, as veredas, as dunas alaranjadas, lagoas e o por do sol formam um cenário indescritível! Este é sem dúvida um dos mais impressionantes atrativos do Jalapão. Voltamos para estrada e chegamos em Mateiros por volta de 19:00. Mateiros fica a 310 km de Palmas e é o principal ponto de partida para explorar os vários atrativos do Jalapão pois concentram-se em seus limites a maior quantidade deles. A cidade recebeu este nome pela grande quantidade de veados mateiros encontrados na região.

RUMO AOS FERVEDOUROS

Fomos dormir cedo para recuperar as energias de um dia intenso e logo no início da manhã já estávamos na estrada rumo aos fervedouros. Estas formações naturais, geralmente cercadas de bananeiras e buritis, são na verdade nascentes subterrâneas de onde brota uma grande quantidade de água misturada com uma areia muito fina e branca. Este fenômeno chamado de ressurgência hídrica faz com que as partículas de areia em suspensão elevem a densidade da água fazendo com que as pessoas não afundem. É a mesma sensação que sentimos ao flutuar nas lagunas do Deserto do Atacama. São mais de cem fervedouros catalogados no Jalapão! Escolhemos visitar dois e fomos primeiro na Glorinha ainda próximo de Mateiros. Dali seguimos para a Comunidade Mumbuca cujos habitantes de origem quilombola confeccionam várias peças a partir do Capim Dourado, sua principal fonte de renda. Depois de conhecer o trabalho dos artesãos, seguimos por setenta quilômetros de estrada de chão até o Fervedouro Bela Vista em São Félix do Tocantins. Este fervedouro é considerado o maior e o mais bonito de todos. Possui área para Camping e a sua nascente têm aproximadamente trinta e cinco metros de profundidade. Ainda da estrada fizemos contato via celular com o pessoal do fervedouro e encomendamos um almoço caipira preparado no capricho! Visitamos a Praia do Alecrim, um dos atrativos da cidade e de volta para Mateiros paramos no Povoado Quilombola do Prata onde anualmente é realizada a Festa da Rapadura que visa resgatar o costume e a tradição da comunidade na produção deste produto, usando ainda moinhos com tração animal. 

CACHOEIRA DO FORMIGA

No final da tarde chegamos na Cachoeira do Formiga. A cachoeira recebe este nome por conta do Rio Formiga que têm a sua nascente a três quilômetros dali. A cachoeira não possui uma grande queda. O que impressiona é a beleza cênica formada pelo conjunto. Um poço com forte tom esverdeado e límpido que dá a impressão de um imenso aquário cercado por uma rica vegetação. Como chegamos com o sol já se pondo, fomos os últimos visitantes a deixar o local. Esta é a vantagem de utilizarmos o nosso carro pois não temos que ficar presos aos roteiros das agências. Podemos também alterar a ordem dos passeios e evitar as aglomerações formada por grupos maiores de turistas. Chegamos em Mateiros por volta das 19:00 horas e fomos procurar um lugar para jantar. 

MUDANÇA DE PLANOS E DE VOLTA PRAS DUNAS

O Jalapão não oferece muitas opções gastronômicas. A galinha caipira, apreciado por muitos é um dos principais pratos servidos na região. Em Mateiros também é servido um "jantarzinho" muito especial! É o espetinho de churrasco acompanhado de feijão tropeiro e mandioca frita. Uma delícia! Antes de dormir a nossa programação era acordar cedinho, fazer a trilha da Serra do Espírito Santo e lá de cima acompanhar o nascer do sol. Mudamos de planos e resolvemos curtir mais um pouco o visual das dunas que também é muito bonito. Como chegamos cedo, éramos os únicos visitantes. Contemplamos o visual com calma e fizemos muitas fotos. Saímos  quando a areia e o sol começaram a esquentar e o vento ficou muito forte. O nosso destino agora era a Cachoeira da Velha!

CACHOEIRA DA VELHA

Considerada a maior do Jalapão, não em altura pois só tem por volta de quinze metros mas sim pela a sua largura a Cachoeira da Velha se destaca das demais por possuir uma grande cortina em forma de ferradura que se aproxima de cem metros. Diz a lenda que a cachoeira recebeu este nome por conta de uma velha senhora que viveu por muitos anos ao seu lado e ficava por horas sentada nas pedras, observando a espuma branca formada pela força da água. Quando morreu o seu espírito continuou vagando próximo da cachoeira. O banho no local é proibido devido à forte correnteza e a cachoeira só pode ser observada de longe através de mirantes onde se chega através de uma passarela. Ousamos um pouco e chegamos próximo da queda andando sobre as pedras. Para ter acesso ao local passamos antes por um posto de controle que no passado foi uma fazenda que pertenceu ao traficante colombiano Pablo Escobar. Naquele local de difícil acesso, ele montou uma empresa de fachada para esconder o que na verdade era um grande laboratório de refino de cocaina. Depois de descoberta, a propriedade foi confiscada pelo governo. O local ainda chegou a ser usado como pousada mas hoje encontra-se praticamente abandonado. Lá existem várias edificações em ruínas, onde funciona um precário posto de controle. 

PRAINHA DO RIO NOVO

A prainha do Rio Novo é formada por uma larga faixa de areia branca, muitas árvores e uma água transparente onde é impossível alguém resistir a um mergulho. Só precisa ter cuidado! Apesar da aparente calmaria, o rio possui fortes correntes sub aquáticas que exigem muita cautela. Depois de percorrer quase 700km em estradas precárias e trilhas off road, chegamos por volta de 18:00 horas em Ponte Alta e ali demos por concluída a nossa expedição ao Jalapão! Um lugar selvagem e pouco conhecido que ainda esconde recantos quase intocados em um cenário exótico, considerado um dos mais bonitos do Brasil!

Um grande abraço!!!
Mario & Carmen

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BIZUCA | Responder 31.10.2016 22.59

SHOW.......VIAJEI JUNTO COM VOCES. PARABENS!!!!!!!!

Mario & Carmen 01.11.2016 17.17

Brigado BIZUCA! Estamos concluindo o relato sobre a Chapada das Mesas & Lençois Maranhanses. Quando for postado te aviso.

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Comentários recentes

06.04 | 14:19

Brigado Luiz. Dedicamos esta conquista a vocês!
Grande Abraço!

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06.04 | 11:20

Olá, pai e mãe. Muito orgulhoso pela aventura de vocês! Um grande abraço! Parabéns!

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24.02 | 14:51

Brigado ao grande amigo e Monteverdeano Alvaro pelos seus comentários!
Mario & Carmen.

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19.02 | 17:32

É contagiante mergulhar na narrativa e sentir a emoção de fazer parte dela... Parabéns amigos pelo desafio vencido... Desafio possível somente aos cortes...

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