EXPEDIÇÃO PICO DA BANDEIRA

INÍCIO DA EXPEDIÇÃO

Do segundo ponto mais alto do ceará (Pico Alto 1.114 MSNM), para o terceiro ponto mais alto do Brasil (Pico da Bandeira 2.892 MSNM). Foi essa   a mais recente expedição que realizamos. Dessa vez, fomos a bordo do nosso Land Rover Defender-90 ano 2000. Foram quase 7.000 km rodados nesse  veiculo icônico, cuja primeira unidade lançado no mercado pós-Segunda Guerra Mundial em meados 1948, ainda  permanece rodando até hoje! A partir do seu lançamento, o Defender, inicialmente chamada de Séries, seguiu em produção ininterrupta com pequenas mudanças no seu conceito original por quase sete décadas. Este feito inédito,  é tido como um trofeu pela Jaguar Land Rover, pois na competitiva industria automobilística, ninguém conseguiu superar esta marca até hoje. Em 29 de janeiro de 2016, na fabrica de Solihull-Inglaterra, onde foi produzida a primeira unidade da marca, um Series I, aconteceu uma autentica  celebração a essa lenda. Foi quando a última  unidade do modelo Defender, que recebeu o numero 2.000.000 foi produzido, fechando assim um ciclo de 68 anos de história e sucesso pelo mundo. Em dezembro do mesmo ano, esse veículo, uma Defender-90,  foi leiloado pela bagatela de 400 mil libras, cerca de 2,3 milhões de reais no cambio de hoje! A nossa expedição ao Pico da Bandeira, está acontecendo, 64 anos depois daquela que por muito tempo foi considerada como uma das viagens terrestres mais longas do mundo, sendo a primeira grande expedição registrada em veículos Land Rover. Era final de 1955, quando seis estudantes partiram de Londres com destino a Cingapura, em uma aventura rumo ao desconhecido. Foram 20.000km em duas Land Rover Série I, percorridos em sete meses, que rendeu aos seis aventureiros que dela participaram, um lugar de destaque na historia do mundo Overlander,  hoje contada no livro “Primeiro Overland”.

São historias assim,  que nos inspiram e nos fazem a acreditar nos nossos sonhos de  levar adiante o nosso Projeto Extremos da América do Sul, cuja principal meta é percorrer de carro, todos estados brasileiros e todos os países da América do Sul, para depois de cada expedição realizada,  poder compartilhar com vocês, um pouco das nossas experiencias. Como temos alguns adeptos do Defender nos acompanhando, nesta expedição, vamos falar um pouco da marca LAND ROVER.  Também, vamos fazer uma narrativa mais detalhada, contando alguns problemas mecânicos que ocorreram na nossa viatura, cujo objetivo é contribuir com os nossos amigos Landeiros, que por ventura venham a se deparar com situações parecidas com as que tivemos que enfrentar.  Iremos relatar a nossa passagem pela Chapada Diamantina, onde na cidade de Lençóis-Ba, participamos do Encontro Land Rover Brasil-2019. Sabemos que o nosso feito, não foi nada de extraordinário, quando comparado  com o nível de dificuldade das  longas expedições que já foram  realizadas ao redor do mundo em veículos do modelo Defender. Porém, cada expedição é única e as experiencias pelas quais passamos, nunca serão iguais as que foram vivenciadas por outras pessoas! 

Na nossa expedição, além do desafio de chegar ao Pico da Bandeira, queríamos quebrar o paradigma  de que para fazer viagens longas, o carro precisa ser novo, principalmente quando os caminhos a serem percorridos, passam  por lugares com pouca estrutura de apoio  mecânico e meios de hospedagem pouco convencionais, sendo as vezes preciso dormir no próprio carro. Sabíamos  que mesmo utilizando um carro confiável, revisado e com um bom planejamento de viagem, poderíamos  enfrentar algumas dificuldades. Mas,  como bons aventureiros, decidimos partir para enfrentar mais esse desafio! Problemas mecânicos foram acontecendo,  mas isso só serviu para dar mais emoção a nossa expedição, levando em conta que estávamos a bordo de uma viatura com quase vinte anos de uso e mais de 200.000km rodados! Logo no primeiro trecho da viagem, entre Fortaleza-Ce e Guaramiranga, onde paramos por alguns dias, antes de iniciar a nossa expedição, a Válvula Venturi que tem a função de regular o fluxo do liquido de arrefecimento apresentou vazamento. Quando isso acontece, ocorre a perda repentina do fluido, que em poucos minutos, se o carro operar com uma temperatura acima do normal, pode fundir o motor. Felizmente, durante a nossa primeira parada, ao fazer  uma avaliação visual no motor, consegui identificar o vazamento ainda no seu início,  antes que o pior acontecesse. Encontrar peças de reposição para o Defender no mercado de autopeças já não é tarefa fácil nas grandes cidades, imagina em uma pequena cidade do interior. Os adeptos da marca Land Rover Defender pelo mundo e aqui no Brasil, onde são chamados de Landeiros, possuem Clubes e grupos  que se comunicam através de Watssap, pelos quais dicas mecânicas são compartilhadas, peças de reposição são encontrados e todos se ajudam mutuamente. Foi no Grupo Só Land Rover Defender, que possui mais de 250 participantes de todas regiões do Brasil, que eu conheci o Vinicius Maestrelli, um experiente Landeiro de Curitiba, que durante a nossa expedição nos deu todo apoio, a medida que os problemas mecânicos foram surgindo. Foi o Vinicius que me orientou a substituir provisoriamente a Válvula Venturi por um Tê, enquanto ele  providenciava a remessa de uma nova válvula para Brasilia, onde iriamos ficar por alguns dias. O Vinicius fabrica essa válvula em alumínio, e uma vez substituída pela original que é de plástico, tem durabilidade infinita! Além dessa peça, o Vinicius através da sua empresa Viniland, produz e comercializa vários outras acessórios para Defender.

SERTÃO DO PIAUI

Tudo Resolvido, seguimos viagem, sempre de olho no painel de instrumentos para detectar alguma anormalidade que porventura surgisse com a temperatura do motor, ou na pressão do óleo. O Defender possui poucos instrumentos de navegação e na ausência destes, os ouvidos também precisam ficar atentos para captar qualquer barulho estranho, que sinalize algum problema mecânico. Nesse dia, estávamos trafegando pela Rodovia BR-020 e tudo parecia normal! De repente, quando  nos aproximávamos da cidade de Tauá-Ce,  notamos que o parabrisa, estava sendo molhado com pequenos respingos d’água. Como não estava chovendo, resolvi parar em um posto para verificar se havia algum vazamento no tê que eu havia instalado provisoriamente. Ao abrir o capô, logo percebi que um dos bujões plásticos, do sistema de arrefecimento havia rompido, e devido a pressão, espirrava água com força suficiente para chegar em pequenas gotas até o parabrisa. O motor da Defender (300-TDI) possui dois bujões no sistema de arrefecimento que servem para possibilitar a sangria do ar, quando se vai fazer qualquer tipo de manutenção que acarrete na troca do fluido ou de algum outro componente do sistema. Essas peças podem se romper ao serem removidas, ou mesmo do nada, como aconteceu na nossa viatura. Isso ocorre devido ao seu ressecamento, por conta do processo normal de envelhecimento do material e da constante mudança de temperatura do motor. Imediatamente falei via zap com o meu “Personal Defender”, Vinicius Maestrelli, que me deu as orientações devidas. Me informei de uma oficina nas proximidades, completei o nível da água e segui para lá. O serviço foi demorado pois chegamos na oficina quando todos se preparavam para o almoço e ainda tivemos que conseguir um Torneiro Mecânico para confeccionar os dois  bujões, pois, além de não encontrarmos similares nas casas de peças, o segundo bujão, devido ao ressecamento, também poderia se romper a qualquer momento. Depois de tudo pronto, seguimos viagem e fomos pernoitar em Picos-PI. Viajar de Defender, além de um estilo de vida, também traz muitas surpresas, um pouco de nostalgia e uma boa dose de emoção! É como voltar no tempo e de repente se imaginar em uma Expedição Raiz,no meio do nada, como nos tempos do Camel Trouphy, revivendo um pouco a história desse carro que virou lenda e paixão mundial. Mesmo sendo um veículo duro, desconfortável e cheio de contradições, o Defender ainda é o preferido por nove entre dez aventureiros que decidem fazer pequenas ou grandes expedições pelo Brasil ou pelo mundo. Ele sempre rouba a cena aonde chega! No dia seguinte, continuamos a nossa saga em solo piauiense, debaixo de um sol escaldante que transformava o ambiente a nossa volta num verdadeiro caldeirão! Para obter uma melhor performance, mantivemos uma velocidade de cruzeiro na  media de 80km/h, que consideramos  a ideal para garantir a rotação e a temperatura do motor numa faixa que entendemos ser a mais segura. Com isso, conseguimos diminuir o consumo de combustível e consequentemente prevenir o desgaste de outros componentes mecânicos. Além disso, mesmo já conhecendo bem todo o percurso, dirigir com uma velocidade mais baixa, nos possibilitou curtir mais a viagem e contemplar a paisagem seca do agreste, cuja vegetação fica completamente  esturricada,   nesse período que antecede o início das chuvas. Sempre que viajamos de carro, temos em mente que os deslocamentos precisam ser feitos sem pressa, colocando em primeiro lugar a segurança! No segundo dia de viagem, além das paradas normais para descanso e abastecimento, fizemos um “Pit Stop” mais demorado em Redenção do Gurguėia, um pequeno povoado onde fica o Poço Violeta, considerado o maior poço jorrante do mundo! Depois, fomos dormir na cidade de Cristino Castro-Pi.

FRONTEIRA MATOPIBA

O trajeto de Fortaleza até Brasília de carro, nós já fizemos diversas vezes. Mas, a Fronteira MATOPIBA, formada pelos estados do MA,PI,TO e BA, sempre nos surpreende pois o seu visual muda a cada época, dependendo da lavoura que está sendo cultivada. O trecho de 215 km, entre a cidade de Luis Eduardo Magalhães-Ba e a Vila Rosário, limite com Goiás é para nós a parte mais bonita da viagem. São longos trechos de estrada plana, margeada por grandes plantações de grãos a perder de vista. Paramos para tirar fotos em uma imensa plantação de algodão e depois seguimos para pernoitar no Posto Rosario. Este posto,  além de dispor de um bom hotel, possui loja de conveniência, banheiros limpos, restaurante e lanchonete. Uma verdadeira estrutura de shopping em pleno cerrado. É o mais completo que já conhecemos em nossas andanças e nele passamos a fazer parada obrigatória sempre que viajamos pela Região Centro-Oeste do Brasil! A partir do Posto Rosario, são mais  330km até Brasilia, que devem ser percorridos com muita cautela pois esse é considerado um dos trechos mais perigosos da Rodovia BR-020. Até chegar em Brasilia, todo cuidado é pouco! Ficar atento e praticar a direção defensiva é muito importante para minimizar as chances de acidente. Apesar da grande quantidade de fotossensores e lombadas, as pessoas não respeitam o limite de velocidade e fazem ultrapassagens em locais proibidos. Dirigimos com cuidado e chegamos no Plano Piloto por volta de 13:00hs, indo direto  para o apartamento que havíamos alugado no Sudoeste. Até o dia da nossa partida para o Pico da Bandeira, fizemos vários passeios pelos parques, monumentos e outros pontos turísticos da Capital Federal. 

CAPITAL FEDERAL

Projetada para receber uma população de 500 mil habitantes, ao completar sessenta anos, Brasilia abriga hoje, mais de três milhões de pessoas, muitas  descendentes dos pioneiros que aqui chegaram nos anos cinquenta, para participar da sua construção. Esse processo de imigração que acontece até hoje, resultou num autêntico caldeirão de costumes, sotaques e culturas. Controversa desde a sua construção, além de ser o Centro do Poder, Brasilia é considerada hoje uma das mais relevantes obras da arquitetura e do urbanismo contemporâneos do mundo! É fácil encontrar, tanto no Plano Piloto, quanto nos seus arredores, vários pontos turísticos formados por atrativos naturais e históricos. Foi em um desses  passeios, que voltamos a nos deparar com mais um problema mecânico na nossa viatura, que eu relatei para o Vinicius Maestrelli, via WhatsApp, mais ou menos assim: “Boa Tarde Vinicius! Passei a escutar um ruído, tipo “mastigado” vindo debaixo, do lado direito inferior (lado do passageiro) que fica mais acentuado quando trafego por um terreno irregular, passo por uma lombada ou faço uma curva forçada. É como se fosse um parafuso, que prende a carroceria ao chasis tivesse folgado! Como estou em Brasilia, vou passar na Oficina do Patrick para verificar”.  E o Vinicius respondeu que o Patrick era seu "brother", muito experiente e com certeza resolveria o problema, mas deu a "dica" para que ele examinasse as cruzetas e as buchas da suspensão. Quem me deu o contato do Patrick, foi um Landeiro de Brasilia, chamado Anibal,  que possui um Defender-130. Conheci ele, quando estava parado no estacionamento verificando o óleo do motor da minha viatura, então ele se aproximou e perguntou se eu estava precisando de ajuda. Conversamos um pouco e ele me passou o contato do Patrick, para o caso de eu precisar de algum serviço mecânico. Chegando na oficina do Patrick, ele rodou comigo na viatura e achou o seu estado geral excelente! Mas, por incrível que pareça, contrariando tudo que eu havia relatado, o barulho que eu escutava forte, se manifestou muito sutil e quase imperceptível naquela ocasião. Voltamos para oficina e com o Patrick embaixo da viatura, balançamos o carro vigorosamente para que ele pudesse escutar melhor o ruído e dar o seu diagnóstico. Resultado, as Buchas da Barra Panhard estavam desgastadas e era isso que causava o barulho.  Entrei em contato com a Caltabiano, concessionaria autorizada Land Rover em Brasilia, mas as buchas não estavam disponíveis em estoque. Como estava de passagem, não tinha tempo para fazer o pedido e esperar. Aproveitei a minha passagem pela oficina do Patrick,  para trocar a válvula Venturi que o Maestrelli havia me enviado. 

ESTRADA REAL

Depois de passar alguns dias em Brasilia, seguimos para BH. Aproveitando que ficariamos três dias por lá, fiz contato com o mecânico Icaro, especialista em Land Rover, para resolver o problema  das Buchas da Barra Panhard. Tentamos na concessionária Land Rover Terranova, adquirir as buchas Panhard, mas também não havia estoque e o reparo não foi realizado. Em BH, fomos recebidos pelo casal de amigos Adailton e Andrea, que nos hospedaram em sua casa. Fizemos um tour pelos pontos turisticos da cidade, entre eles   o tradicional Mercado Central e aproveitamos para comprar na Decatlo, alguns equipamentos que iríamos usar no Pico da Bandeira. De volta a estrada,  seguimos  para Alto Caparaó-Mg, a fim de encontrarmos o guia que nos levaria ao Pico da Bandeira. Neste trecho de 350 km, passamos por Ouro Preto e Mariana, que fazem parte da Estrada Real, roteiro que já havíamos feito  em janeiro de 2008,  desde Diamantina-Mg, até Paraty-RJ. A Estrada Real é uma das mais belas rotas turísticas do Brasil, cuja construção data do século 17, ainda na época do Brasil Colônia. Esse caminho foi aberto a mando da Coroa Portuguesa, para ligar o Litoral Fluminense à região produtora do interior de Minas Gerais, que tinha Ouro Preto, como a então capital mineira. Todo esse trecho, era percorrido por tropeiros a cavalo em 60 dias, levando e trazendo mercadorias. Hoje esse caminho pode ser feito de carro em 8 dias, passando por várias cidades históricas, trechos de Mata Atlântica, sítios arqueológicos, serras e muitas cachoeiras, com direito a paradas para fazer trilhas ou  experimentar o que há de melhor da gastronomia mineira. Ao contrario do que vimos quando percorremos a Estrada Real pela primeira vez, quando as chuvas torrenciais causavam a destruição de estradas e cidades, agora, a grande ameaça era o tempo quente e seco que com a ajuda do vento, espalhava as queimadas que se propagavam rapidamente nas margens das rodovias, deixando a visibilidade prejudicada e aumentando o risco de acidentes. Mesmo levando a nossa sacola térmica com água, frutas e lanches, não podíamos deixar de experimentar o tradicional pão de queijo, servido com café  mineiro, feito na hora!  Era nessa ocasião que eu aproveitava para verificar a calibragem dos pneus, o nível da água, óleo do motor e dos fluídos da viatura. 

ALTO CAPARAÓ-MG

Chegamos em Alto Caparaó numa tarde de domingo, e ainda vimos do nosso apartamento, uma grande área da serra, cuja vegetação, foi completamente destruída pelo fogo. Ficamos sabendo que o nosso guia, estava fazendo parte de uma força tarefa formada por bombeiros, brigadistas e moradores da região, convocada para combater vários focos de incêndio que há quase uma semana, devastavam a Mata Atlântica no entorno do  Pico da Bandeira,  entre Minas Gerais e Espirito Santo. Pelo ar, helicópteros combatiam outros focos nos locais de difícil acesso. Com a queimada, muitos insetos fugiram da mata e foram se refugiar no interior das residências mais próximas do sopé da serra. Quando abrimos o nosso apartamento, o quarto estava tomado por pernilongos! Saímos em busca de um local para jantar e providenciar algum inseticida que expulsasse aqueles invasores indesejados, do contrário, não iriamos conseguir dormir. Como já era noite e por ser  domingo, o comércio da cidade já estava fechado e não encontramos nenhum restaurante ou supermercado aberto. Por sorte, localizamos uma pequena venda onde encontramos inseticida em aerosol e também alguns mantimentos que serviram para improvisar uma janta. Voltamos para o apartamento que havíamos alugado por site de aplicativo, e a dona do AP, que não se encontrava na cidade, já havia mobilizado uma vizinha que colocou à nossa disposição, um completo aparato de combate aos mosquitos. Era Raquete, Mata Mosquito Elétrico, repelente, etc. Um verdadeiro arsenal Exterminador de Pernilongos! Fizemos a aplicação dos produtos, aguardamos a ventilação do local e só então fomos dormir. Apesar do perrengue, dormimos uma noite tranquila. Quem chega na pequena cidade de Alto Caparaó, normalmente vai em busca de conhecer uma região de mata exuberante, cercada de montanhas e belas paisagens, além de poder chegar ao Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do Brasil. Esse também  era o nosso objetivo. Porém, visitar uma fazenda de café também pode ser uma experiência incrível, principalmente quando essa fazenda produz um dos melhores cafés do mundo! Então, foi isso que fizemos ao decidir conhecer a Fazenda Ninho da Águia, antes de encarar qualquer outro passeio. Na fazenda fomos recebidos pelos proprietários, Sr. Aídes e pelo seu filho, Clayton, um ex surfista e hoje cafeicultor, que com muito empenho, dedicação, estudo e persistência, colocou o seu nome no mapa mundi dos cafés especiais. Por coincidência, o Clayton havia chegado há menos de uma semana de Guaramiranga-Ce, onde ministrou treinamentos para cafeicultores do Maciço de Baturité. Participamos de uma degustação e seguimos pela fazenda, onde o Sr. Aídes e o Clayton, foram nos mostrando todo o processo de produção, desde o plantio, colheita, seleção e torra. Foi uma verdadeira aula de café, sabedoria e simpatia prestada pelos nossos anfitriões! 

CONHECENDO A PARTE BAIXA DO PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ

Dali seguimos para o Parque Cachoeira das Andorinhas, que depois do Pico da Bandeira, é considerado o ponto turístico mais visitado da região. Infelizmente, por ser uma segunda feira e estarmos em  baixa estação, este local, e outros considerado de interesse, estavam fechados. Decidimos então conhecer os pontos mais acessíveis do Parque Nacional do Caparaó, que ficam na parte bixa do parque. Visitamos o Acampamento Tronqueira, ponto mais alto do parque com 1.970 metros de altitude, até onde é possível chegar de carro. Lá existe um mirante com vista para o vale, de onde se pode contemplar o nascer e o por-do-sol. Caminhamos por aproximadamente 300 metros, até o Vale Encantado a 1.980 MSM, onde, observamos algumas cachoeiras e piscinas naturais, nesta época, com pouca água, pois as chuvas ainda não tinham chegado.  Existem duas versões para a origem do nome Caparaó. A primeira, defendida por historiadores, diz que se trata de uma palavra indígena que significa “Águas que rolam das Pedras”. Mas, existe uma lenda que contradiz a história, atribuindo o nome a um boi muito bravo, que vivia na mata onde hoje é o parque, chamado Ó. Esse boi atacava quem dele se aproximasse. Então, vários boiadeiros se uniram para captura-lo. Depois de muitos dias de lutas, conseguiram vencê-lo e como prova de tal bravura resolveram castra-lo e logo o boato se espalhou pela cidade: “CAPARAM O Ó” . Já, o Pico da Bandeira, possui esse nome porque, por volta de 1859, o Imperador Pedro II determinou que fosse colocada uma bandeira do Império naquele que, na época era tido como o ponto mais alto do Brasil. Só em 1968, mais de um século depois, com o descobrimento do Pico da Neblina (2.994m SNM) e do seu vizinho, o  31 de Março ( 2.973m SNM), ambos no Estado do Amazonas, a montanha caiu de posto mas, mesmo assim não perdeu o interesse dos adeptos do montanhismo. Depois de conhecermos os atrativos da parte baixa do parque, no final da tarde, voltamos  para a cidade, onde encontramos com o nosso guia para combinar os detalhes da nossa expedição que aconteceria no dia seguinte. Acertamos todos os detalhes e combinamos de nos encontrar na portaria do parque no dia seguinte as 15 horas. 

ACAMPAMENTO TERREIRÃO

Tudo acertado, depois do almoço, seguimos no nosso carro até o local combinado, onde encontramos o nosso guia Lelei e mais outro visitante que se juntou ao nosso grupo. Fizemos a identificação de acesso na portaria do parque e dali continuamos  de carro por  mais 6 Km. A estrada de terra até o Acampamento Tronqueira, é estreita, possui muitas curvas e nos trechos mais íngremes, recebeu uma pavimentação em blokete para facilitar a subida. No caso de chuva, a subida  pode  ficar escorregadia e difícil, se o carro não for 4x4. O Acampamento Tronqueira, dispõe de um camping com mesas para refeições, agua potável, vestuário, sanitários e estacionamento. Ali é o ponto final para veículos. Muitas pessoas acampam no Tronqueira para ver o por do sol e as 22:00 Hs, iniciam o ataque ao cume num trekking de 6,9 Km, até chegar ao pico por volta das 5:00Hs para contemplar o nascer do sol. Deixamos o carro no estacionamento do Acampamento Tronqueira e iniciamos o nosso trekking de 3,7 km até o acampamento Terreirão, último platô antes de chegar ao pico. No início, percorremos uma trilha considerada fácil e bem sinalizada, sombreada  pela  Mata Atlântica. Depois, o caminho  muda para Campos de Altitude, com vegetação rasteira, sempre margeando o vale por onde correm as águas cristalinas do Rio José Pedro. Em certo ponto, o rio  que corre tranquilo em seu leito, despenca de um paredão de 80m  para formar a Cachoeira Bonita. Mais adiante, vários poços e corredeiras surgem convidativas para um banho refrescante. Fizemos  algumas paradas no caminho para tirar fotos e chegamos no acampamento por volta de 17:00h, com tempo suficiente para montar a nossa barraca e ver o por do sol. Logo a noite chegou e com ela um céu incrivelmente estrelado. Jantamos e ficamos por um bom tempo conversando e apreciando o brilho das estrelas, que com o claro da lua, amenizavam a escuridão a nossa volta. Com a noite avançando a, o frio foi chegando e as pessoas que estavam no acampadas começaram a se recolher. O silencio se instalou no acampamento,  que só era quebrado por algumas aves noturnas que se abrigavam  na penumbra da mata que nos cercava. Passamos a sentir sono e o corpo fatigado, começou a pedir descanso. Então, tratamos de nos agasalhar e fomos dormir no aconchego da nossa barraca. 

ATAQUE AO CUME DO BANDEIRA

Esperamos a madrugada chegar, para as duas horas, iniciarmos a nossa jornada de ataque ao cume do Bandeira! Levantamos no horário combinado e quase nem dormimos, pois a expectativa da subida e o frio intenso da madrugada nos mantiveram em alerta. A temperatura baixou muito. Coisa de 3°C dentro da barraca! Lá fora, a sensação térmica beirava zero grau, pois chegamos a observar a formação de alguns cristais de gelo pelo chão. O nosso Guia Lelei preparou um café e por volta de 2:30 já estávamos na trilha. Antes, fomos avisados que os alimentos que não fossem ser levados, precisavam ficar bem guardados pois os quatis farejam tudo e chegam até a furar as barracas para rouba-los. A lua crescente ajudava a iluminar o caminho, mas mesmo assim, usamos nossas lanternas de mão e de cabeça, pois o mato baixo, encobria muitas pedras soltas, tornando a trilha em alguns pontos traiçoeira, pesada e difícil. Nessa hora, ter um guia experiente ao nosso lado, fez a diferença. Mesmo com o esforço fisico intenso, quanto mais avançávamos, mais frio ia ficando. O caminho que antes tinha alguns trechos planos, agora era só de subidas íngremes entre as pedras. Avistamos do alto um foco de queimada que parecia vir na nossa direção. Paramos para descansar e o nosso guia fez contato com a portaria do parque, que nos tranquilizou, informando que uma equipe já estava indo para o local. Mesmo cansados, a nossa estratégia foi continuar andando sem fazer muitas paradas, a fim de não esfriar corpo e perder o rítimo da caminhada. Por volta das 5:00 horas, ainda com escuro, pisamos no ponto mais alto do bandeira! O frio era cortante e o jeito foi procurar abrigo entre as pedras e a escassa vegetação rupestre. Além das roupas térmicas, ainda tivemos que nos empacotar nos sacos de dormir para enfrentar o frio. Era como procurar abrigo dentro de uma geladeira! Encaramos todo esse desafio, só  para ver o  nascer do sol  que acontece dia após dia para  todos. Mas, ver esse espetáculo acima das nuvens e  de um ponto privilegiado como o Pico da Bandeira é para poucos.  Saber que naquela manhã de 18/09/19, entre os mais de 210 milhões de habitantes do nosso país,  éramos apenas oito pessoas, com os pés no chão a 2.892 MSNM, não tinha preço! Ninguém no Brasil, naquele momento,  estava mais alto do que nós! A não  ser, os que estivessem voando. Chegamos a essa conclusão, tendo em vista que o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março, primeiro e segundo ponto mais alto do nosso território, respectivamente, estavam com a  visitação suspensa pelo ICMBio. Fizemos algumas fotos e logo depois o surgiram os primeiros raios do sol e com ele veio junto o calor. As nuvens foram  se dispersando e começamos a avistar mais claramente a cadeia de picos que formam a Cordilheira do Caparaó, com destaque para o Pico do Cristal, Pico Calçado e Calçado Mirim. Por volta das 8:00h iniciamos a descida. Fomos passando por campos rupestres de onde brotam algumas espécies endêmicas e raras, que crescem sendo açoitadas pelo vento. São ao todo 3,2 km de trilha, percorrida em campos de altitude, sob sol forte praticamente sem nenhuma sombra, até  chegarmos no Acampamento Terreirão por volta de 11:00. Desmontamos a barraca onde todas as nossas tralhas haviam  ficado guardadas, arrumamos as mochilas e continuamos descendo rumo ao Tronqueira.  No Terreirão, existe uma estrutura completa de camping com vestiários, sanitários, água potável e uma casa de pedra que serve de abrigo para as pessoas que estão sem barracas. Essa casa já chegou a ser usada como base de guerrilheiros brasileiros,  que inspirados na Guerrilha de Serra Maestra cubana, se insurgiram contra o regime militar brasileiro na chamada Guerrilha do Caparaó. Próximo do Tronqueira, cruzamos com um grupo de conterrâneos, que estavam iniciando a subida para o Terreirão. Esse grupo, já tinha visto o nosso carro no estacionamento, com placa de Fortaleza,  e ao nos encontrar, foram logo nos cumprimentando   com  gritos bem no estilo Ceará Moleque!:  “Ieeeeeeeiiiiiiii” , “Iuhu” . Conversamos um pouco do nosso jeito Cearês e depois cada um seguiu o seu rumo, soltando muitas “gaitadas”. No dia seguinte, de volta para estrada, rumamos  para Brasilia.

DE VOLTA A BRASILIA

Passamos  ainda cedo por Belo Horizonte, e fomos pernoitar em um hotel de beira de estrada a 260km dali,  próximo de Três Marias. Dizem que a cidade de Três Marias, se originou a partir de um sitio da família Josh Pereira de Freitas, onde também existia uma pequena hospedaria que era usada por tropeiros da região. Com a morte do patriarca, as suas filhas Maria Francisca, Maria das Dores e Maria Geralda, resolveram continuar tocando o negócio que se tornou popular e passou a ser conhecido na região como Hospedaria Três Marias. Conta a lenda, que era costume das três irmãs, tomar banho nas águas do Velho Chico. Um certo dia, elas foram surpreendidas por uma cabeça d’água que as carregau para o fundo do rio. Depois desse trágico acontecimento, o povoado passou a ser ainda mais conhecido. Na década de 1950, o então presidente Juscelino Kubitscheck, autorizou a construção de uma hidrelétrica na região do Alto São Francisco e o local escolhido foi o mesmo povoado que mais tarde daria nome a cidade e a usina. No dia seguinte pela manhã, fiz o checklist na viatura, paramos para abastecer e depois seguimos para mais um dia de viagem. Paramos para almoçar na cidade de Paracatu-Mg, no restaurante Casa de Concessa, um charmoso restaurante rural, de propriedade da comediante Cida Mendes, que já atuou na Turma do Didi, na TV Globo. Quando está na cidade, ela incorpora a sua personagem Concessa, e atende os clientes devidamente caracterizada, contando causos engraçados do folclore mineiro. Dali, seguimos para a casa da Helena, irmã da Carmen, que juntamente com o seu marido Jurandir e sua filha Larissa, nos receberam para um cafezinho e um dedo de prosa. O nosso objetivo naquele dia, era chegar no inicio da noite em Brasilia, onde estávamos hospedados na casa da nossa amiga Maria do Carmo, que gentilmente nos recebeu por alguns dias. Era sábado e resolvemos fazer uma parada no posto Jk em Cristalina-GO, que é a melhor opção de serviços neste trecho da Rodovia BR-040. Fizemos um lanche e quando me preparava para abastecer e seguir viagem, verifiquei que a lameira traseira do lado direito,  direito e o pneu do mesmo lado, estavam completamente impregnados de  lubrificante, que chegava a pingar no chão do estacionamento. Era como se eu tivesse passado dentro de uma poça de óleo. Procurei o lubrificador mas, como era sábado, ele já tinha encerrado o expediente e o box estava fechado. No pátio do posto, existem alguns mecânicos que prestam serviços autônomos mas, naquela ocasião todos estavam ocupados e o único que estava livre, já havia encerrado os trabalhos e estava tomando cerveja. Nestas condições, ele não se dispôs a me atender. Um caminhoneiro que observava o movimento, me abordou e aconselhou que eu não contratasse nenhum deles, pois ele não tinha tido uma boa experiência e para resolver o seu problema, teve que trazer um profissional de outra cidade. Fui para baixo da viatura, fiz algumas fotos e mandei para o meu “Personal Defender” Vinicius Maestrelli. Naquela ocasião, também acionei o Patrick de Brasilia a quem também pedi ajuda e fiz para os dois o seguinte relato: “Boa tarde! Estou precisando de ajuda. Parei no posto para abastecer e verifiquei que a lameira traseira direita bem como a parte interna do pneu do mesmo lado, estão impregnadas de lubrificante. Verifiquei embaixo da viatura e não consegui identificar a exata origem do vazamento, pois o óleo se espalhou por toda a parte traseira. Estou aguardando um mecânico para verificar a provável causa do vazamento e se é possível fazer algum reparo. Na impossibilidade de reparo, vou completar o óleo, e ver se é seguro chegar em Brasilia, 123km. Você pode me dar alguma dica? “ Enquanto aguardava resposta, fui para baixo da viatura, para tentar entender o problema. Primeiro eliminei a possibilidade de vazamento pelo motor pois o óleo estava no nível. Dai, fui verificar externamente a caixa de marcha, transferência e diferencial. Na minha avaliação visual, deduzi que o óleo começava a pingar pelo retentor da caixa de marcha, escorria pelo chassi e depois se acumulava na roda, criando a falsa impressão de que o vazamento era na ponta do eixo, pois era naquele local que o óleo ficava mais concentrado. Ou seja, Com a viatura em movimento e a expansão do óleo no sistema, o vazamento ia aumentando,  e o óleo que pingava, era empurrado pelo vento na direção da roda traseira e da lameira. Fiz uma limpeza completa, sequei todo o óleo com trapos e fiquei aguardando a resposta dos universitários. Tanto o Vinicius quanto o Patrick me responderam que: mesmo identificando a origem do vazamento, sem os retentores para serem substituídos, não tinha outro jeito. A solução era mesmo completar o óleo e seguir viagem. Como já era noite, combinei com o Patrick que na segunda feira, iria procura-lo na oficina para sanar o problema. Consegui falar com o funcionário do posto que se prontificou a estar no box de lubrificação às 8:00 horas da manhã do domingo, para fazer uma verificação em todos os fluidos. Resolvemos dormir no posto JK que também possui um excelente hotel. Conforme havíamos combinado,  o  funcionário do posto chegou cedo e logo começou o serviço. Além de lubrificador, ele também tinha um razoável conhecimento mecânico e isso me deixou mais tranquilo. Fez uma verificação completa, abrindo o bujão de cada reservatório e logo constatou que a origem do vazamento era realmente pelo retentor da caixa de marcha que estava com o nível baixo e foi completado com 800ml. Seguimos para Brasilia e no caminho fizemos pelo menos três paradas para verificação. Em todas as ocasiões, fui para baixo da viatura e por incrível que pareça, não verifiquei nenhum vazamento por menor que fosse. Na segunda feira, fui a um Lava Jato e fiz uma lavagem completa para remover qualquer vestígio do óleo. Ficamos mais alguns dias rodando em Brasilia  e não verificamos mais nenhum sinal de vazamento. Cheguei a comentar com o Patrick e com o Vinicius, que também acharam estranho. Deixamos a viatura em Brasilia e voltamos para Fortaleza de avião, para retornar próximo da data que seria realidado o Encontro Land Rover 2019. 

ENCONTRO LAND ROVER 2019-CHAPADA DIAMANTINA

Retornamos a Brasilia no inicio de novembro  e como não havia nenhum sinal de vazamento, seguimos para o encontro LR-2019, que aconteceu de 14 a 17 de novembro de 2019, na cidade de Lençois-Ba, em plena Chapada Diamantina. Logo no primeiro dia de viagem,  ao parar na localidade de Rosario-Ba, para abastecer, constatei que o vazamento havia voltado. Como já sabia a origem do problema, completei o nível e seguimos viagem, sempre parando  para novas verificações, que só foram  feitas de forma visual, pois não encontramos na estrada, nenhum posto que possuísse ferramenta e um lubrificador disponível para uma verificação mais completa, com a abertura do reservatório. Depois de rodar por 550km, paramos para dormir  em Correntina-Ba, pois de repente, as luzes da viatura pararam de funcionar e a noite já comecava a chegar. No dia seguinte, fiz uma verificação nos fusíveis e  todos estavam perfeitos. Sem as  luzes funcionando, seguimos viagem por mais 550km e chegamos em Lençóis-Ba, no final da tarde, com os últimos raios do sol iluminando o nosso caminho. Como no Encontro Land Rover, estava confirmada a presença do Mecânico Fábio, do Land Club-Ba, fiz contato com ele que resolveu o problema de vazamento da caixa de marcha, sendo que a pane elétrica, foi resolvida pelo Paulinho, competente mecânico e Landeiro de Fortaleza-Ce, que juntamente com o amigo Aurélio Sales, também estavam participando do evento. A pane elétrica que causou o “blecaute” na nossa viatura, teve origem em um terminal elétrico de cor azul, que fica localizado na parte interna do painel frontal, o qual precisa ser completamente removido para que possa ser acessado. Esse defeito, que chega a ser comum nos modelos Defender, ocorre principalmente em regiões litorâneas, por conta da maresia que se acumula no dito terminal azul e causa o seu isolamento, impedindo que a corrente elétrica, circule normalmente. Essa informação, quem me passou,  foi o Vinicius Maestrelli. Mas, antes antes de receber essa valiosa dica, o meu amigo Paulinho, fazendo uma varredura geral do sistema elétrico, que por sinal lhe deu muito trabalho, conseguiu detectar o problema e prontamente deixou tudo resolvido. 

VISITA A GRUTA DA MAROTA-CHAPADA DIAMANTINA

A Décima Primeira Edição do Encontro Land Rover Brasil 2019, aconteceu na área de camping da Pousada Lumiar, que foi literalmente invadida por quase 250 veículos da Nação Landeira, vindos de várias as partes do Brasil. Foram quatro dias de confraternização entre amigos e familiares, com direito a passeios, palestras, workshops, feira de peças, acessórios, exposição de carros antigos, sorteio de brindes, shows musicais e um concorrido jantar de confraternização, tudo preparado pelo pessoal do Land Club Bahia, responsáveis pela organização do evento. Quase doze anos depois da nossa primeira passagem por Lençóis, a cidade continua com o seu acervo arquitetônico, formado por casarios e igrejas muito bem preservado. Pelas ruas que fervilham de turistas nas noites agitadas, durante o dia o cenário bucólico toma conta da cidade e nos remete a décadas passadas, quando a região da Chapada Diamantina, ainda ostentava o seu grande poderio no cenário da mineração, ocorridos durante os ciclos do ouro e do  diamante, que foram muito fortes da região da chapada. O Encontro LR-2019, que coincidiu com o feriadão da Proclamação da República, provocou uma grande movimentação de turistas na cidade, tornando muito disputada a visitação dos pontos turísticos mais famosos. Diante disso, partimos na companhia dos amigos Aurélio e Paulinho, com as suas respectivas esposas Vanda e Isabel, para fazer o nosso primeiro passeio, pois até então, só tinhamos ficado no camping e em Lençóis. Iríamos visitar inicialmente a Gruta Marota, um atrativo que ainda não é muito concorrido  e  depois o Poço Azul. A nossa estratégia era evitar os locais com grande aglomeração, para podermos curtir os passeios com mais tranquilidade. A partir de Lençóis, seguimos em rodovia asfaltada e depois por uma estrada de chão, até chegamos no lugarejo de Ubiraitá, distrito de Andarai, onde nos seus arredores fica a Gruta da Marota. No local onde fica a gruta, fomos recebidos pela família do Sr. Tetê, guia e  proprietários das terras onde  ele vive com a sua família. Enquanto íamos nos preparando para iniciar a visita, fomos proseando com o Sr. Tetê, que  fez uma breve explanação sobre a descoberta da gruta, feita  há décadas pelo seu avô que morava na propriedade. Ele também explicou, que o nome Marota, foi dado em homenagem a sua avó que tinha esse apelido.  Ao mesmo tempo que falava sobre algumas peculiaridade do local, antes  frequentado apenas por nativos da região,  que iam ao local em romaria para fazer orações. Seu Tetê  também falou com entusiasmo do seu projeto de melhorar cada vez mais as suas instalações, que ainda são pouco visitadas e conhecidas, para poder receber melhor os turistas.  Tudo pronto, seguimos de carro por uma pequena trilha que nos levou até a frente de um imponente paredão rochoso, de quase oitenta metros de altura. Na base do paredão, existe uma fenda que dá acesso a gruta, de onde avistamos o primeiro salão. Paramos para algumas fotos e antes de entrar na gruta, o guia Tetê, fez um rápido briefing, para nos orientar sobre os cuidados que deveríamos observar durante a visita. Caminhamos por quase uma hora entre esculturas naturais de rochas calcarias, galerias, salões, estalactites, estalagmites e diversos espeleotemas que iam nos surpreendendo e tomando formas diversas, ao sabor da nossa imaginação. Tudo corria bem e quando nos preparávamos para deixar o local, o Aurélio, ao se deparar com uma passagem mais escorregadia, se desequilibrou e ao cair, sofreu uma forte luxação no tornozelo, que o impossibilitou de continuar andando. A partir dali, todos se mobilizaram em uma tensa operação de regate. Enquanto o guia Tetê foi em busca de uma ambulância no posto médico de Ubiraitá. Os que ficaram na gruta, cuidaram  de imobilizar a lesão. Usamos talas feitas com sandálias tipo havaianas, que foram fixadas com fita silver tape. Esse procedimento foi feito pelo Paulinho, que se utilizou de todos os seus dotes de “MacGyver”. Como não havia maca, depois da imobilização, fizemos a primeira parte do percurso, tendo eu e o Paulinho servido de  apoio axilar para o Aurélio, como se fossemos um par de muletas. Como não encontrou ambulância disponível no posto médico do povoado, o guia Tetê, retornou a gruta acompanhado de dois amigos com uma cadeira e uma estaca, onde o paciente foi acomodado e resgatado até o carro. Dali o Paulinho dirigiu até o hospital de Seabra-Ba, onde os exames médicos indicaram a necessidade de cirurgia que pela sua complexidade, não poderia ser feita naquela unidade. Feita a imobilização com gesso, o amigo Aurelio retornou para Fortaleza na companhia do Paulinho e do Ricardo que também é de Fortaleza e estava participando do Encontro LR 2019. Tudo correu bem na viagem de retorno e a cirurgia foi realizada com sucesso! 

FAZENDA PRATINHA-CHAPADA DIAMANTINA

Como já havíamos programado. Eu e a Carmen ficamos em Lençóis até o encerramento do evento. No último dia da nossa estadia em Lençóis, aproveitando para  uma visita a Fazenda Pratinha, que já havíamos conhecido na nossa passagem anterior. Distante 75 km de Lençóis, e embora não esteja dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, pois trata-se uma propriedade privada, o local é muito procurado pelos praticantes do ecoturismo que visitam a chapada. Como era o último dia do “feriadão”  e não havia mais tanta gente no local, ficamos bem a vontade para percorrer tudo com calma. Paramos primeiro para contemplar e fazer algumas fotos na Gruta da Pratinha, cujo principal atrativo é a flutuação em suas águas transparentes de um brilho azul intenso. Depois fomos até o mirante da tirolesa e como o calor estava muito forte, fomos nos refrescar nas aguas transparentes do Rio Pratinha, até chegar o melhor horário para visitar a Gruta Azul, que deve ser feita entre duas e três da tarde, por conta da incidência do sol que acentuam ainda mais a sua coloração azul. No Caminho para a Gruta Azul, passamos pelo Ateliê João de Barro, onde algumas peças esculpidas em pedra ardósia podem sem vistas. Aproveitamos  e fizemos uma parada no local para descansar num redário e saborear um açaí que é servido em mesas rústicas embaixo das arvores. 

MORRO DO PAI INÁCIO-CHAPADA DIAMANTINA

Deixamos a Fazenda Pratinha no final da tarde, para poder chegar a tempo de ver o por do sol no Morro do Pai Inácio, que do seu topo é possível acompanhar o por do sol com o seu show de cores e ao mesmo tempo contemplar de um belo visual da chapada em 360 graus. Só que a nebulosidade que se formou no final daquela tarde, frustrou  nossa expectativa. Existe uma lenda contada e encenada pelos guias locais, que o morro ganhou esse nome, por conta de um escravo chamado Inácio. Dizem que ele se apaixonou pela filha de um poderoso coronel e foi se refugiar no alto do morro. Perseguido e encurralado pelos capangas do coronel que havia descoberto o romance, Inácio   conseguiu escapar do cerco, saltando do alto do morro, usando como paraquedas, uma sombrinha que a amada o havia presenteado. No dia seguinte fomos fazer uma visita de despedida ao Camping Lumiar e encontramos o mesmo local que fervilhou nos quatro dias de evento, quase vazio e silencioso! Nos despedimos dos organizadores e de alguns Landeiros que também se preparavam para partir, e seguimos viagem. Dalí até a nossa casa em Fortaleza, foram 1.320 km que percorremos em dois dias, fazendo um pernoite em Petrolina-Pe. Agora é novamente preparar a viatura, para marcar presença no Encontro Land Rover Brasil 2020, que vai acontecer de 08 a 12 de outubro de 2020, na Fazenda Tucunduva, na cidade de Cabreuva, em São Paulo.

Um grande abraço!!!
Mario & Carmen

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26.12 | 12:29

Olá Ricardo! Se você juntar os nossos relatos, Chapada dos Veadeiros, Jalapão e Rota das Emoções, dá pra fazer uma expedição bem interessante!

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13.12 | 21:39

Mário, você tem o roteiro completo da expedição do jalapao? Pretendo ir em maio e gostaria de aproveitar parte do seu

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Brigado amigo Nilo. Grande abraço!

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29.03 | 16:39

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